Mumbuca, Rio Novo e Prata: as Comunidades Quilombolas do Jalapão
Antes de qualquer duna ou fervedouro, o Jalapão já era território de resistência. As comunidades quilombolas da região nasceram da fuga de pessoas escravizadas que encontraram refúgio nesse trecho isolado do cerrado, e seus descendentes seguem vivendo ali até hoje, preservando tradições que vão muito além do que aparece nas fotos de viagem. Três comunidades formam o que a região chama de Rota Quilombola do Jalapão: Mumbuca, Rio Novo e Prata.
Mumbuca: o Berço do Capim Dourado

A Comunidade Mumbuca, no município de Mateiros, é a mais visitada das três e também a mais conhecida pelo artesanato em capim dourado. É descrita por moradores como uma comunidade matriarcal: a Associação dos Artesãos Extrativistas do Povoado Mumbuca, ativa há mais de duas décadas, já teve a liderança de mulheres jovens à frente da preservação da cultura local. Todos os anos, a comunidade realiza a Festa da Colheita, celebrando o período em que o capim dourado atinge o tom certo para ser colhido e transformado em artesanato.
Rio Novo: uma das Comunidades Mais Antigas do Jalapão

A Comunidade Quilombola do Rio Novo fica a cerca de 45 km de Mateiros, por volta de uma hora em estrada de terra, ou 115 km de Ponte Alta do Tocantins. Segundo relatos registrados pelo Sebrae, a comunidade teria se formado em meados do século XIX, quando pessoas fugidas de fazendas escravistas se estabeleceram às margens do rio que dá nome ao local. Foi certificada pela Fundação Cultural Palmares em 2014, sob o nome oficial de Comunidades Remanescentes de Quilombo Margens do Rio Novo, Riachão e Rio Preto.
Prata: Agricultura, Rapadura e Cachaça Artesanal

Mais isolada, a Comunidade do Prata fica no município de São Félix do Tocantins, perto da Cachoeira do Prata , dentro do Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba. É conhecida pela agricultura familiar, com destaque para a produção de rapadura, e por oferecer degustação de cachaça artesanal com infusão de ervas e frutos do cerrado.
O Capim Dourado: o "Ouro do Jalapão"

O capim dourado não é bem uma gramínea, é uma planta do tipo sempre-viva que cresce nas veredas de buriti da região. Colhido em setembro, quando atinge seu tom dourado característico, o capim é transformado à mão em cestos, joias, luminárias e outros objetos de artesanato, uma atividade que sustenta boa parte da economia das comunidades, já que a região não tem vocação para agricultura ou pecuária em larga escala. Outras comunidades da região, como Boa Esperança e Carrapato, também trabalham com a técnica.
Como Visitar as Comunidades com Respeito

A visita às comunidades é uma forma de turismo de base comunitária: a renda gerada pela venda de artesanato e pelas vivências culturais fica diretamente com os moradores. Vale visitar com a mesma atenção que se teria em qualquer comunidade tradicional: perguntar antes de fotografar pessoas, respeitar o ritmo local e, sempre que possível, comprar direto dos próprios artesãos.
Como Incluir a Vivência Quilombola no Seu Roteiro

A vivência na Comunidade Mumbuca, com a história do ouro do Jalapão e do capim dourado, já faz parte dos nossos pacotes de 4 dias ou mais . Fale com a gente pelo WhatsApp para incluir essa experiência no seu roteiro.